terça-feira, 21 de abril de 2026

Um sonho sobre a solidão

Um sentimento estranho é estar rodeado de pessoas e se sentir sozinho. Foi o que senti ao acordar de um sonho hoje a tarde. Durante uma chuva que caia aos pingos contado, por ruas próximas à minha casa eu caminhei sob um sentimento de vazio que não soube explicar depois de acordar.

Nunca senti nada parecido com isso. Era uma solidão muito além de estar sozinho. Era como se todos os meus amigos estivessem mortos. Como se na rua não houvesse ninguém com quem eu pudesse parar e sentar de forma presente, alguém para falar e ouvir de verdade. Todos pareciam ocupados demais.

Acordei tranquilamente, observando a vida como se eu a estivesse deixando passar. Como se o livro que não escrevi, a música que não compus, e o abraço que não dei, estivessem aqui do meu lado cobrando o preço de performar na vida adulta.

Sinto que só represento um papel. Que coisa triste é carregar uma máscara para os outros veem. Talvez a escrita seja o melhor refúgio para dias assim.

Hoje foi um dia cheio, qual caminhei por lugares novos, encontrei novas pessoas, subi 1800 degraus de uma trilha. Sob a névoa da manhã, conheci os arredores de uma cidade próxima. Almocei em um lugar que nunca vi. Banhei com pessoas que nunca mais vou ver. Até a sobremesa também foi em um lugar que nunca entrei. Tantas coisas novas para, no final do dia, esse sonho me lembrar que nada disso é capaz de preeencher o vazio que existe dentro de nós. 

Não reclamo. Esse mesmo vazio me presta o serviço de vir à frente desta tela ruminar meus mais íntimos pensamentos.