Um sentimento estranho é estar rodeado de pessoas e se sentir sozinho. Senti isso em um sonho hoje a tarde. Durante uma chuva que caia aos pingos contados, andando nas ruas próximas à minha casa eu caminhei sob um sentimento de vazio que não soube explicar depois de acordar.
Nunca senti isso na vida. Era uma solidão muito além de estar sozinho. Era como se todos os meus amigos estivessem mortos. Como se na rua não houvesse ninguém com quem eu pudesse parar e sentar de forma presente. Não havia alguém para falar e ouvir de verdade. Todos pareciam ocupados demais.
Acordei tranquilamente, e observei a vida em perspectiva, como se ela tivesse passado inteiramente diante de mim. Mas os livros que eu não escrevi, as música que não compus, e o abraço que não dei, estivam aqui do meu lado, cobrando o preço de performar na vida sem parar para a viver de verdade.
Sinto que só represento um papel. Que coisa triste é carregar uma máscara para os outros veem. Talvez a escrita seja o melhor refúgio para dias assim.
Hoje foi um dia cheio, caminhei por lugares novos, encontrei novas pessoas, subi 1800 degraus de uma trilha em uma cidade vizinha. E sob a névoa da manhã, conheci os arredores dessa cidade próxima. Almocei em um lugar que nunca fui. Banhei com pessoas que nunca mais vou ver em um balneário na volta. Até a sobremesa foi em um lugar que nunca entrei. Tantas coisas novas para um dia, e ao cair da noite, sonhei pela tarde com final dos meus dias. Esse sonho me deixou muito pensativo. Foi uma espécie de pesadelo sem nenhum desdespero. Um sentimento que só consigo traduzir como a sensação de existir no mundo sem que ninguém o conheça. Como se você tivesse 200 anos e todas as pessoas que você já viu na vida estivessem mortas.
Não reclamo. Esse senho me presta o serviço de vir à frente desta tela ruminar meus mais íntimos pensamentos.