"arithmetical truth cannot be defined in arithmetic"
Ora, se não pode ser definido lá, de onde vem? Do universo, você responde, pois nele estão as leis da lógica na forma de processos naturais. Mas é a matemática que segue as leis do universo, ou o universo que segue as leis da matemática?
"No sufficiently rich interpreted language can represent its own semantics"
A matemática não consegue explicar sua própria existência. Essa afirmação faz parte do teorema citado anteriormente. Ele abre a porta para os paradoxos entrarem na aritmética.
"undefined numbers"
Sim, números indefinidos, não confundir com as indeterminações do cálculo diferencial. Os números indefinidos surgem apenas das afirmações que geram contradição na lógica de primeira ordem.
Quando você tenta definir algo, precisa utilizar uma linguagem para isso. Logo, já podemos dizer que a condição necessária para definir algo é que primeiro exista uma linguagem. A linguagem é algo que permite falar do que está sendo definido. Quando você tenta falar das propriedades da línguagem utilizada para fazer tais definições, uma nova forma de linguagem é criada, a metalinguagem.
(Se a frase é verdadeira, então ela é falsa.)
(Se frase é falsa, então ela é verdadeira.)
Agora, vamos definir um número contraditório - um número paradoxal - utilizando a linguagem natural. Apreciem o Paradoxo de Berry (traduzido e adaptado numericamente ao português por mim mesmo).
Imagine o seguinte número: "O menor número inteiro positivo que não pode ser escrito com menos de oitenta letras"
Exemplo um: 11 (onze) é um número inteiro, mas é escrito com apenas 4 letras, logo, 11 não pode ser o número ao qual a sentença se refere.
Exemplo dois: 845.558.978 (oitocentos e quarenta e cinco milhões, quinhentos e cinquenta e oito mil, novecentos e setenta e oito) é um número inteiro e tem 83 letras. Poderia ser esse número? Sim, ele obedece as duas condições.
Qual é esse número não interessa, você já percebeu que ele existe, basta procurar. O mais importante aqui, é perceber que ele é único, pois só existe um MENOR INTEIRO que não pode ser escrito com menos de 80 letras. Vamos chamar esse número de N.
Agora leia novamente a definição de N: "O menor número inteiro positivo que não pode ser escrito com menos de oitenta letras".
O que L está dizendo é o seguinte: eu não posso ter menos de 80 letras, mas tenho. Nosso número é paradoxal porque L faz referência a si própria. L tenta (e consegue) definir um número utilizando a quantidade de letras do número, mas quando fazemos isso com L, utilizando a quantidade de letras dela, ela prórpria não obedece a si mesma.
CL(L) = CL(N),
Sabe porque isso aconteceu? Porque nossa linguagem não é formal como a lógica. Todos sabemos que ela permite criar paradoxos por autoreferência.
