A Matemática nunca me permite,
terça-feira, 28 de maio de 2024
Soneto - Matematicalismo
A Matemática nunca me permite,
sexta-feira, 24 de maio de 2024
Sobre envelhecer
Aos 28 anos me sinto envelhecido. Não só na aparência já totalmente calva, mas me sinto deslocado entre jovens. Que inferno é isso? Que cansasso me aflige quando sou forte? Quando me envelheci?
Desenvolvi sensibilidade tardiamente. Não conseguia entender poesia alguma na adolescência. Toda poesia me parecia sem sentido. Me perguntava para que servia um poema, nutria certa raiva de poetas, pois achava todos uns inúteis que escreviam coisas sem sentido.
Hoje sinto que me afligem hoje os sentimentos que deveriam me afigir na adolescência. Sinto uma adolescência tárdia. Toda música me comove, e alguns pensamentos vêm como sonhos. Sinto demais por não ter sentido, tanto quanto, quando deveria ter. Sinto uma espécie de adolescência que precede a velhice. Tão cedo me enxergo idoso, que imagino a solidão e a tenho preguiça de enfrentar. Prefiro passar meus fins de semana sozinho.
É triste não se compadecer da dor do outro? Estou morrendo por dentro. Penso cada vez mais em mim e menos nos outros. Os sentimentos também envelhecem. Acho que encontrei a resposta da pergunta que eu fazia aos adultos: quanto mais velho, mais difícil é se apaixonar.
quarta-feira, 22 de maio de 2024
Sobre a Alma
domingo, 19 de maio de 2024
Deus da Sacanagem
Se os sonhos são as janelas do nosso inconsciente, o que significa o sonho de hoje?
Quando meu consciente desperta, lembro dela. Que profundo enigma da mente. Sentir duas coisas tão contrárias no mesmo ser. Parece-me que sou perseguido por paradoxos desde a infância.
Desde novo fui apresentado a conteúdos que exploram absurdos, da Mecânica Quântica ao subconsciente, da Metafísica aos Teoremas da Incompletude de Gödel.
Na adolescência, recordo de jogos em múltiplas dimensões, filmes de viagens no tempo, livros sobre a Teoria do Caos e músicas sobre/sob alucinógenos.
Hoje me sinto na Ilha do Medo, limites entre a lucidez e a loucura se tornam cada vez mais tênues.
Me vejo mais calvo, envelheci 10 anos para além de minha idade e aparência. Estou embriagado com o mar de existencialismo no qual foi naufragada a minha vida.
Em sonho sou uma coisa, acordado, sou outra. Não deveria ser possível sentir sensações opostas sobre a mesma coisa.
A descoberta do inconsciente está para a psicologia como o átomo está para a Física. Pilares fundamentais de ambas ciências, em vez de fornecerem solidez e consistência, romperam com a estrutura do pensamento humano.
Não bastasse isso, em 1924 Godel cartografou o paradoxo para dentro da matemática. O golpe foi belo e poderoso, com a força de um Teorema, contradisse a mais sólida lógica. Dentro da aritmética, Gödel encontrou uma fórmula que diz: eu não posso ser provada e sou eu mesma a prova de si.
Nascem os Teoremas da Incompletude prestando à Matemática o mesmo serviço de disrrupcão que o inconsciente e o átomo prestaram à Psicologia e à Física. O que todas estas revoluções tem em comum? Elas retornam o ser humano para o nada.
Escancaram o vazio que existe dentro de nós, que encontra correspondência na contradição.
Disrrupturas, paradoxos do simultâneo, do ser e do não ser (onda/matéria), do sentir e do não sentir (consciente/subconsciente), do poder não ser verdadeiro nem falso (completa/inconsistente).
Kierkegaard, Durkheim, Froid, Jung... a consciência é um problema insolúvel de nossa parte. Que melhor experimento de demonstração para isso do que ler Fernando Pessoa? Dezenas de Pessoas que nunca existiram escritas pela mente do sonhador, pessoas que conversam, choram, brigam, todas num único sonho de uma única pessoa que não existe.
Deve-se deixar de pensar nessas coisas o mais rápido possível. Temo que as singularidades das quais falamos invocam vórtices que engolem tudo como um buraco negro em nossa mente.
Esse aprofundamento na contradição causa rupturas sinistras no tecido da nossa personalidade. Temo ser levado para lugares onde a lógica e o social não valham mais que qualquer coisa. Quem sabe esse processo esteja a ocorrer no exato momento em que escrevo isso.
Quem sabe seja Deus um tremendo sacana que ri da nossa crise existencial. Um Deus da sacanagem. Que busque levar todos os seres humanos para a mesma miséria existencial, só para ver até onde vai a loucura. Se eu fosse Deus, faria isso. Deixaria todo mundo louco.
terça-feira, 14 de maio de 2024
Sobre o Desassossego de Pessoa
quinta-feira, 9 de maio de 2024
A Sombra (soneto em andamento)
domingo, 21 de abril de 2024
Sobre a perfeição
Se algum dia a perfeição for encontrada, seja ela um objeto, um ser ou um ente qualquer, se sucederá uma autosabotagem por parte de quem a encontrar, pois não acredito que o ser humano possa se imaginar capaz de merecer algo perfeito.
Tive a perfeição em meus braços e me sabotei de uma forma tão patética, mas tão ridícula, que a mim não deveria ser concedida a felicidade. E ainda assim me encontro rindo pelas ruas como se fosse o mais feliz dos ignorantes.
O que eu sou? Infantil e narcisista.
Ter tudo ao meu dispor causou em mim um sentimento de não se sentir à altura do que possuía, nisso começou minha jornada de autossabotagem.
Busquei adicionar à perfeição, como se fosse possível adicionar algo àquilo que já é completo, o que na verdade faltava em mim.
Não consegui. Me revoltei. A menosprezei. Por uma insegurança minha, a culpei.
Abri um buraco no qual eu mesmo pulei dentro. E já sabia, desde o início, que isso terminaria assim. Até disse ao meu eu do futuro: isso não vai te matar, mas vai te deixar mais forte.
O narcisista, prevendo a queda por saber que é patético, ainda assim, a alivia com a esperança de que isso lhe fará bem.
Maldito narcisista.
.png)